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  • Letícia Jury

Cora Coralina em Tiradentes (MG): patrimônio de todos nós!

Atualizado: 17 de Jul de 2019

Já dizia Drummond: "Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia”.



Você sai de Goiás rumo a cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, e quando chega a pousada, que homenageia mulheres brasileiras, logo no primeiro quarto da série, quem encontra? Ela: a nossa doceira Cora Coralina! Isto mesmo, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, poetisa e contista da Cidade de Goiás, faz parte de um conjunto de arte em azulejo ao lado de, dentre outras personalidades, Bibi Ferreira, Elis Regina, Leila Diniz, Zuzu Angel, Maria Bethânia, Elis Regina, Chiquinha Gonzaga, Carla Camurati.


Para identificar o apartamento, na entrada, são seis azulejos brancos, pintados com tinta azul, que descrevem brevemente a goiana: “Viveu a vida que todos esperavam pra ela. Aos 77 anos abriu finalmente as asas da alma e deixa voar a poetisa da agricultura, da terra. A menina contida explode em florestas e açúcar. O Brasil surpreso, abre seus braços para essa essência nunca perdida, sempre esperada”.


Mas porque homenagear mulheres? Fomos em busca da resposta. Nada melhor do que perguntar a proprietária Vanilce Barbosa. Procuramos por ela na loja de peças de obras de arte, na entrada da pousada, mas ela não estava. Em seguida, fomos a recepção, e também não a encontramos. Até que um dos funcionários nos chama para irmos ao encontro dela no jardim, pois estava cuidando das plantas.


Com um sorriso no rosto, nos recebeu carinhosamente. Nos apresentamos como goianas e orgulhosamente elogiamos a homenagem a Cora Coralina. Vanilce Barbosa, que já foi tema de matéria da revista 'Pequenas Empresas e Grandes Negócios',  relatou que era comerciante na praça central de Tiradentes, comercializava bijouterias e artesanato. Os 43 apartamentos foram construídos em nove meses, como resultado do sonho de duas amigas empreendedoras, ela e a arquiteta Beth Brender. “Sou a pioneira e ela a audaciosa. Muito inovadora, o sonho dela era homenagear mulheres. E assim fizemos”, recorda.


A pousada onde Cora Coralina se destaca é uma verdadeira imersão na cultura brasileira com sua arte, tradição, história e natureza em seu aspecto poético, e que busca o empoderamento feminino. A cidade de Tiradentes, que dista 1055 quilômetros de Goiânia, tem pouco mais de sete mil habitantes e faz parte da Trilha dos Inconfidentes, ao lado de Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Congonhas, o que atrai turistas de todo mundo para apreciar, dentre outras coisas, as obras de arte expostas nas igrejas.


A charmosa Maria Fumaça, a mais antiga em operação no país, leva os turistas à tradicional viagem de trem de Tiradentes e São João Del Rei, que encanta todas as idades, em seus 12 quilômetros na Estrada de Ferro Oeste de Minas, fundada em 1881, e passa pelo Rio das Mortes e pela Serra de São José.  Os encantos de Tiradentes estão também na arte barroca de Aleijadinho, na Matriz de Santo Antônio, no centro histórico com seus bares e restaurantes, seus artistas de rua, sua arte e artesanato, e é claro, com tratamento hospitaleiro do mineiro acolhedor.


Conhecer as cidades históricas de Minas Gerais, as chamadas vilas do ouro, os museus, as pinturas de mestre Ataíde, a ornamentação aurífera das igrejas, os detalhes arquitetônicos das construções, as ruas e vielas com suas histórias de dor e revolução, neste rico patrimônio de todos os brasileiros, e ainda se deparar com uma homenagem a Cora Coralina, não tem preço. É a afirmação da goianidade!


Vanilce Barbosa e Beth Brender tiveram a sensibilidade de Carlos Drummond de Andrade, que reconhecia Cora como “patrimônio de todos nós”. É por isto, que encerro este texto com as palavras do poeta em carta remetida a poetisa: “Minha querida amiga Cora Coralina: Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia”.

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