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Descredibilização da imprensa está no topo das agressões a jornalistas

Nos primeiros seis meses do ano, apenas o presidente Jair Bolsonaro, desferiu 245 ataques aos profissionais da imprensa

Letícia Jury


Segundo Relatório ‘Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil’, publicado pela Federação Nacional dos Jornalistas, 54,81% dos registros em 2019 foram de ‘descredibilização da imprensa’, seguido de ‘ameaças e intimidações’, com 13,46%; ‘agressões verbais’ com 9,62% e agressões físicas, 7,21%.


A região Sudeste ficou no topo, 46,81%; o Centro-Oeste com 19,15%; Sul com 15, 96%; Nordeste com 11,70% e Norte com 6,38%. Os dados da violência por gênero apontam que 49,16% das vítimas são homens. Por tipo de mídia, 28,23% são profissionais das emissoras de televisão; impressos, 26,21%; e mídia digital, 18,55%.


Na quinta-feira, dia 2 de julho, a Fenaj divulgou dados atualizados referente ao monitoramento de ataques contra jornalistas, em que nos primeiros seis meses de 2020, o presidente Jair Bolsonaro promoveu 245 ataques contra jornalistas, sendo 211 de descredibilização da imprensa, 32 ataques pessoais e dois ataques contra a Fenaj.


Para a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Maria José Braga, desde a década de 90, o relatório anual é publicado.


“Digo, sem falsa modéstia, é o levantamento mais completo no país, monitora tudo, desde os assassinatos a agressões verbais”, ressalta.

Quanto aos seis primeiros meses deste ano em que o monitor apresentou que o presidente da República, Jair Bolsonaro, foi responsável sozinho por 17% a mais de agressões ocorridas em todo o ano de 2019 (que registrou 208 agressões diversas a profissionais da imprensa), Maria José Braga avalia que houve uma institucionalização da violência. “Acreditávamos que após a publicação do levantamento referente a 2019 as agressões iriam diminuir, mas isso não ocorreu. Isso é gravíssimo, precisamos também de uma reação da sociedade”, alerta.

Alguns dados da pesquisa - 2019


- Foram registrados 114 casos de descredibilização da imprensa e 94 de agressões diretas a profissionais, totalizando 208 casos de violência;


- O número é 54,07% maior do que o registrado em 2018, quando ocorreram 135 casos de agressões a jornalistas;


- Sozinho, Bolsonaro foi responsável por 114 casos de descredibilização da imprensa, por meio de ataques a veículos de comunicação e a profissionais, e outros sete casos de agressões verbais e ameaças diretas a jornalistas, totalizando 121 casos, o que corresponde a 58,17% do total;


- Além do número geral de casos de violência contra jornalistas e ataques à liberdade de imprensa ter crescido em 2019, também cresceu o número de assassinatos, a violência extrema contra a categoria. Os jornalistas Robson Giorno e Romário da Silva Barros, ambos com atuação em Maricá (RJ), foram assassinados. Em 2018, havia ocorrido um assassinato e, em 2017, nenhuma morte em razão do exercício profissional fora registrada;


- Ainda foi assassinado o radialista Claudemir Nunes, que atuava numa rádio comunitária em Santa Cruz de Capiberibe (PE). Em comparação com o ano anterior, quando quatro radialistas perderam a vida em razão de suas atividades, houve diminuição no número de assassinatos de outros profissionais da comunicação


-Das categorias de agressões diretas a jornalistas, além dos assassinatos, registrou crescimento em 2019, em comparação com o ano anterior, a categoria das injúrias raciais. Em 2019, houve dois casos de racismo e, em 2018, nenhum;


- As agressões físicas – tipo de violência mais comum até 2018 – , foi uma das categorias em que houve diminuição no número de ocorrências. Foram 15 casos, que vitimaram 20 profissionais, contra 33 ocorrências no ano passado.


Fonte: Fenaj


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