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  • Letícia Jury

Ensino democrático, mas com qualidade

Atualizado: 1 de Set de 2019

Professor de Direito, Eugênio Lourenço Dias, 60 anos, alerta para “atrofia” do processo de formação e indica para quem almeja o mundo jurídico: "ter gosto pela leitura"


Orisvaldo Pires


Anápolis é polo universitário. Os cursos oferecidos atraem milhares de pessoas, entre residentes na cidade e procedentes de inúmeras outras regiões. No campo jurídico o município tem status de referência, pois abriga nada menos que sete cursos de graduação em Direito (bacharelado), nas faculdades Anhanguera, do Instituto Brasil (Fibra), Raízes, Metropolitana de Anápolis (Fama), Católica de Anápolis, UniEvangélica, e de Tecnologia Avançada (FTA).


O advogado Eugênio Barbosa Lourenço Dias, 60 anos, dos quais 25 dedicados ao ensino do Direito, credita o fato deste curso ser o mais popular do país à amplitude dos campos de atuação e oportunidades que apresenta após a formação, “os únicos que se igualam são os cursos de Farmácia e Bioquímica”. Segundo ele, o Direito abre as portas para participação em concursos para Promotor de Justiça, Juiz de Direito, Delegado de Polícia, Escrivão, Polícia Científica, Analista Jurídico, entre outros.


O Ministério da Educação e Cultura (MEC) divulgou dados que revelam que o Brasil está entre os países com maior número de advogados do mundo: 1,2 milhão. O aumento considerável de vagas nos cursos de Direito nos últimos dois anos pode ser explicado por vários fatores, entre eles a flexibilização das regras para abertura de mais cursos adotada em 2018 no governo Michel Temer, revisão de normas de conceito e até a motivação provocada pela Operação Lava Jato. Apenas em Anápolis, em 2018, foi autorizado funcionamento de três cursos de Direito.


Em relação à tese de influência da Lava Jato como estímulo para o aumento das inscrições em cursos de Direito, Eugênio Lourenço Dias acredita que nessa história específica, “a imagem que mais foi desgastada é a do advogado, que ficou meio que rotulado como um profissional que atua na defesa de bandidos”. Na sua opinião, os jovens que, influenciados pela espetacularização da Lava Jato buscam o campo jurídico, em sua maioria, pela estabilidade das funções, querem ser Delegado de Polícia, Promotor de Justiça ou Juiz, “mas não Ministro do Supremo, advogado talvez”.


Para Eugênio Lourenço Dias, é necessário manter o cuidado quanto ao que classifica de “proliferação” de cursos que, muitas vezes, ignoram critérios essenciais e necessários de qualidade de formação. “Ninguém é contra a democratização do ensino, pode ter quantas escolas forem. O que se quer é que todos tenham acesso ao estudo, mas com qualidade. Temos atrofia muito grande. Há preocupação em formar pessoas. Mas, a que preço? Não se sabe”, alerta o professor.


As complexidades naturais inerentes ao estudo jurídico, entende o advogado, devem servir como estímulo aos estudantes do ensino médio vocacionados ao Direito, para que comecem a se condicionar à matéria mesmo antes de se inserir na faculdade. Entre as dicas, Lourenço Dias orienta aos secundaristas que aproveitem as aulas de Filosofia e Sociologia na escola, “elas servem para formar o raciocínio, principalmente no estudo da Hermenêutica”.


Leitura

Uma das maiores virtudes para iniciar bem o curso de Direito, segundo o professor universitário, é ter gosto pela leitura. “A pessoa vai ler e interpretar o que leu. Tem que ver filmes, ler livros. Se não lê, não escreve. Mas é preciso ter cuidado com o que compra para ler. Nos dias atuais existem muitas ‘perfumarias’. As editoras se voltam ao vade mecum. É importante lembrar que todos os códigos, ordenações, todas as leis estão à disposição na internet, gratuitamente, no site do governo planalto.gov.br. Você abre todas as leis, desde a número 1 e até acessa todo o sistema pelo celular ou computador”, orienta.


Eugênio Lourenço Dias reconhece que, no Direito e em diversos outros cursos, a dificuldade do acadêmico com o Português é um limitador. Para o professor, conhecer a própria língua é essencial para um processo qualificado de formação, pois se a pessoa não administra o Português se transforma em um analfabeto funcional, alguém que se depara com um texto e não consegue interpretar o que lê. Segundo ele, sem esse conhecimento que deveria vir do ensino básico, “como a pessoa vai interpretar a decisão de um juiz?”.


Quem é Eugênio Barbosa Lourenço Dias?

Advogado, professor de Direito, é graduado pela Faculdade de Direito de Anápolis / Fada (1994), especialista em Direito Penal, Direito Penal Empresarial e Tribunal do Júri; foi professor nas faculdades Fibra, Anhanguera, UniEvangélica e Raízes (Anápolis) e PUC/Goiânia; ex-procurador Geral do Município e ex-diretor do Procon Anápolis.


*Orisvaldo Pires é jornalista profissional (RP 1396/GO) e acadêmico de Jornalismo (4º período) da Faculdade Metropolitana de Anápolis (Fama)

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