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  • Letícia Jury

O fim da passividade do sujeito em tempos de coronavírus

Novas práticas e maneiras de participação: opinião é livre nos comentários!


Antes de iniciar este artigo, que traz um breve estudo de caso da participação dos internautas, por meio de comentários, sobre a matéria ‘Casos de coronavírus no Brasil em 31 de março’, publicada no portal G1, é importante ressaltar que este texto é continuação do ‘O controle remoto e o início do fim da passividade do sujeito’, que pode ser lida também neste blog.

Lúcia Santaella, referência nos estudos de comunicação na América Latina, traz conceitos fundamentais, para que possamos entender a interatividade e a participação no contexto da convergência. Em sua análise, isto não é recente. A partir do momento em que o telespectador passou a ter em mãos o controle remoto, a passividade começou a dar espaço ao empoderamento.

A autora cita outros equipamentos neste processo, como as fotocopiadoras, videocassetes e aparelhos para gravação de vídeo, walkman, walktalk, acompanhados de uma crescente indústria de videoclipes e videogames, cassetes sendo alugados por locadoras, até culminar na TV a cabo.

Mas sem sombra de dúvidas foi com a internet, a expansão. Os recursos, a velocidade, as novas práticas comunicativas, as mudanças culturais e sociais, os diferentes níveis de participação e interação, os mecanismos de distribuição, as linguagens, as dinâmicas entre usuários. Tudo isto, contribuiu para o fim da passividade.

E, que tal observarmos este fenômeno em meio a uma pandemia? Então vamos lá!


A matéria traz no lead a informação de que as secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até as 20h45, de terça-feira (31), 5.805 casos confirmados no Brasil. Após mostrar a realidade dos Estados, se apropriou de infográficos referentes ao território nacional, para afirmar que naquele momento, o avanço da doença demonstrava que foram 25 dias desde o primeiro contágio confirmado até os primeiros mil casos, no intervalo de 26 de fevereiro a 21 de março.

Vamos ao que interessa a este artigo, a opinião do leitor?


O primeiro da fila já demonstra ironia e uma crítica velada a reportagem ao perguntar: “quantos já se curaram”?


O que adora colocar política no meio da história, fala que é preciso urgentemente fiscalizar os gastos públicos e outras despesas do governo federal que estão sendo feitas, segundo ele, sem licitação: “um perigo eminente tendo em vista que temos hienas, raposas, ratos e morcegos administrando este País, muita gente enriquecendo as custas da desgraça do povo.

É claro que nos comentários têm os mais exaltados: “bando de burros, não sabem matemática. Tá diminuindo a velocidade e não aumentando”.


Os que atacam a Rede Globo: “Vamos lá rede esgoto: divulguem que o número de mortos caiu e o de infectados tb. Parem um pouco de ser terroristas! Fará bem a vcs e ao povo Brasileiro!”.

Aqueles que buscam ser mais sensatos: “Vocês não estão entendendo que só estamos conseguindo achatar a curva no início, porque os governadores tomaram atitudes rapidamente. Se geral ficasse na rua, geral ia se contaminar ao mesmo tempo e teria muito mais gente morrendo, foi essencial a medida tomada tanto em SP quanto RJ e em outros estados. Ou seja as medidas estão funcionando. Então é pra continuar em casa gente, precisa cair o número de casos pra começar a ir pra rua ou tudo vai voltar a ser o que era. EUA já passou os 2000 mortos e previsão segundo Donald Trump é de 100 a 200 mil por causa da covid19, lá demoraram a tomar atitudes”.

Os que adoram uma polêmica: “Será que a China está contabilizando tudo corretamente ou camuflando números para parecer que está superando a crise, permitindo que a economia funcione em prejuízo de outros países?”.

Há espaço para os espiritualistas: “Lamento por todas as mortes, principalmente por aqueles que já morreram espiritualmente e já se entregaram ao inimigo e desejam ver muitas mortes. Deus vai julgar cada um, principalmente aqueles q não o reconhecem, da morte vc vai se livrar várias vezes, mas o julgamento é certo”.

Irônicos: “Esquerdistas? Estou com um terreno aqui para carpir. E ai, Alguém com coragem?

Otimistas: “Como a especialidade aqui é divulgar somente tragédia e espalhar o terror, me vejo obrigado a divulgar outro dado oficial: 176.504 pessoas se recuperaram do covid-19”

E obviamente, para encerrar, os espertinhos: “fazemos desbloqueio dos canais premiere, telecine, hbo, combate e canais adultos para assinantes de tv por assinatura de qualquer lugar do Brasil e tambem reduzimos o valor da fatura. pagamento somente depois que o serviço for feito. zap 11.957540287”.

Síntese

É preciso compreender que a tecnologia não é o único fator que propicia a interatividade e a participação. O que de novo surgiu não foram as práticas, mas as maneiras. A internet, a web, as tecnologias digitais de comunicação são capazes de potencializar estas práticas, que anteriormente já existiam em espaços presenciais de interações face a face. Do controle remoto ao ‘Comentários’, o feedback do consumidor de notícias agora, não é exclusivo das mesas de bar, se faz presente em diferentes níveis de interatividade.

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