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  • Letícia Jury

Trans: na universidade e no mercado de trabalho sim!

Céu Abreu. 33 anos. Publicitária. Exemplo de profissional. Resistência. Liberdade

Espaço infinito. Horizonte. Situação feliz. Paraíso. Local para onde vão as boas almas. São algumas definições para a palavra ‘Céu’, onde também, as aves voam em liberdade.


Céu também foi o nome escolhido pela transexual em transição, 33 anos, publicitária, servidora pública, Céu Abreu Mendes.


O nome não poderia ter sido melhor escolhido. Quem convive diariamente com ela, observa além da ternura no olhar, um sorriso largo, uma educação admirável e uma paciência invejável.


Convidada a participar do blog, compartilha experiências, fala verdades e desperta a atenção do leitor para reflexões. A entrevista na íntegra, segue abaixo, com algumas doses de consciência!


Letícia Jury - Como você observa os acadêmicos trans nas universidades? É uma relação permeada por estereótipos e preconceitos?

Céu Abreu - Na realidade somente agora com alguns direitos e depois de muita resistência, a população transexual está conseguindo chegar no Ensino Superior, muitas de nós (transgêneros), principalmente no que se refere às travestis, foram muito marginalizadas e mal conseguiram concluir o Ensino Fundamental. Assim agora depois de todos esses direitos, a saber, o que inclui mulheres transexuais na Lei Maria da Penha e de que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passe a ser considerada um crime, já podemos ver profissionais se formando e conquistando espaços onde antes não haviam nossa população.


Letícia Jury- A Universidade é o espaço de fato da diversidade? Ou ainda no que se refere aos trans são necessários avanços?

Céu Abreu - A Universidade é um espaço diversificado sim, porém políticas de ações afirmativas para a população trans ainda é um imenso desafio. Por exemplo a começar pelo uso do banheiro, que é o primeiro embaraço para uma pessoa na nossa condição. Algo que deve ser construído na sociedade desde a educação básica para que se chegue até a Universidade. Nossos principais desafios são bastante óbvios, como a garantia do respeito ao nome social e retificado em todos os espaços, principalmente nos serviços públicos. Despatologização social das identidades trans, e da conscientização do crime contra a transfobia/lgbtfobia.


Letícia Jury-Pela sua experiência e convívio com trans, os acadêmicos tem as mesmas oportunidades?

Céu Abreu - As mesmas oportunidades sim, porém por muitas vezes temos que lutar muito para custear nosso sustento acadêmico já que muitas de nós não temos esse auxílio por parte de familiares como a maioria ou mesmo em igual situação àqueles que já trabalham; enfrentamos outros desafios em relação a isso.


Letícia Jury- Os professores universitários estão preparados?

Céu Abreu - Existe preconceito vindo de todos os lados, mas existem professores incríveis que dão muito apoio e suporte. Eu tive professores incríveis durante toda a minha vida e isso foi muita sorte, mas creio que precisamos ter novas posturas diante de uma sociedade tão diversa em vários aspectos sociais.


Letícia Jury- No que se refere à universidade e o mercado de trabalho, os trans têm acesso às vagas de emprego e remuneração condizente com o perfil profissional?

Céu Abreu - A imagem de uma pessoa trans no mercado formal ainda é muito estigmatizada. A sociedade ainda julga mais o estereótipo que o esforço e a capacidade intelectual. Muitas empresas vão pensar várias vezes a ter sua imagem representada por uma pessoa trans/travesti, e isso nos coloca numa posição muito difícil quanto à concorrência. Segundo a Antra - Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a expectativa de vida de uma travesti/transexual brasileira gira em torno dos 30 anos, enquanto a expectativa de vida da população média é 74,6 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda de acordo com os dados da instituição, toda essa objetificação atribuída a travestis e transexuais brasileiras resulta na ausência de oportunidades de trabalho, mantendo na faixa de 90% o índice de pessoas trans na prostituição, em um único segmento profissional, na informalidade e na maioria das vezes sem condições de acessar direitos trabalhistas e seguridade social.


Letícia Jury- Você é otimista ou pessimista no que se refere a pluralidade no mercado de trabalho?

Céu Abreu - Eu como pessoa trans, preta e pobre, que venho conseguindo superar e conquistar espaços, tenho muita esperança no que se diz a pluralidade e diversidade no âmbito do mercado de trabalho em todos os aspectos. A sociedade esta mudando, a desinformação e o preconceito estão ficando obsoletos. Quanto mais empatia da sociedade e dos governantes maiores serão as oportunidades, independente da identidade de gênero de qualquer um que seja.

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